Friday, May 7, 2010

Reposta a um post bizonho do Ceticismo.net

Resposta ao André, autor de Grandes Nomes da Ciência: William Kamkwamba.

Caro Andé, tentei me registrar no seu site pra fazer um comentário, mas o e-mail com a senha de registro nunca chegou. Então estou respondendo via blog post.

Achei seu texto de muito mau gosto. Pôxa, um cético e blogueiro deveria se esforçar mais para ser bem informado e ter opiniões mais equilibradas.

O seu texto tenta falar sobre superação. É claro que devemos valorizar quando alguém consegue vencer as dificuldades e faz algo construtivo para sua comunidade.

Mas ao invés de dizer isso, você ficou ridicularizando as origens do rapaz e deu a entender que não se espera que alguém de certo país pobre seja capaz de fazer algo tão inteligente. Isso não faz sentido. Pela mesma razão, as pessoas até hoje acreditam que foram alienígenas quem desenharam as figuras de Nazca - afinal, não é possível que o povo Nazca tenha tido capacidade de fazer algo tão bonito e complexo, dizem.

Você não percebe o quão anacrônico e preconceituoso aquele trecho do seu texto pareceu?

Citando:

Esta é a história do garoto que domou o vento.
O meio do nada! É isso que se pode resumir do ridículo país de Malawi, bem na África Oriental, limitado ao norte e ao leste pela Tanzânia e ao oeste pela Zâmbia (dois outros buracos onde o Judas não perdeu as botas, pois ele já as tinha perdido pra assaltantes lá pelas bandas de Moçambique). Malawi é o entroncamento do nada com coisa alguma, uma terra que qualquer deus pagaria pra esquecer, só para não ter que aceitar que fez merda.
Naquela pocilga de lugar não dava nem pra ligar um rádio, pois não tinha eletricidade. Água? Só se fosse através de bombas manuais já que, sem eletricidade, não havia como ligar bombas elétricas. Esgoto? Você deve estar de brincadeira! Nem mesmo um celular podia-se usar direito, pois não havia como recarregar as baterias, só andando muitos quilômetros até se encontrar algo parecido com um vilarejo com eletricidade (chamar isso de “civilização” não é ser otimista, é ser idiota)
O que você escreveu é horripitantemente bizonho e desrespeitoso com o Malaui, com os países daquela região e às pessoas que moram lá. Mesmo que sua intenção tenha sido apenas ilustrar e exagerar a descrição do seu gênio-herói, não justifica que você fique sacaneando o país dele desse jeito. Não teve a menor graça.  Há pessoas vivendo no Malaui, na Zâmbia e em Moçambique e você certamente não parou pra pensar em como eles ficariam ofendidos ao ler esse texto.

Justifica falar que o país do rapaz é uma pocilga? Conheço alguns africanos e na medida do possível eles gostam do seu país e lutam pelo desenvolvimento local. Tomara que eles não leiam o seu post, ou que pelo menos não pensem que todos brasileiros sejam tão insensíveis.

Além do mais, sendo brasileiros, será mesmo que temos moral pra dizer que o país deles é "ridículo"?

O resto do texto foi OK. Mas os primeiros parágrafos realmente me revoltaram.

Até,
Yves

UPDATE: Não sei pra que me dei o trabalho de escrever essa merda. Olha a resposta do André (destaque meu):

Se vc não se deu ao trabalho de escrever uma resposta por email, é porque o que vc tem a dizer é totalmente dispensável. Não estou nem aí pro seu site.

Beijo na irmã.

André
 

Friday, March 26, 2010

Diversões


Olá leitores fantasmas.

Pô, chega de frio! Eu quero sol! Essa semana até fez sol, mas as temperaturas ainda estão abaixo dos 15 graus. Essa primavera tá começando muito meia-boca.

Aliás, o inverno tava sendo legal, fizemos umas três aulas de esqui, só que me acidentei no terceiro dia e estourei o joelho bem feio. Vou ter que fazer uma cirurgia pra refazer o ligamento, porque meu joelho direito só tá funcionando pela metade :-).
Mesmo com o joelho detonado, parece que eu vou poder andar de bicicleta numa boa - e é o qu mais quero fazer quando fizer sol de verdade. E fazer hiking também. E viajar!

Enquanto o frio não termina de vez, vou me divertindo de outros jeitos. O que tenho mais feito ultimamente é:
  • Modern Warfare 2. Um joguinho do videogame PS3, que eu jogo quase todo dia durante algumas horinhas. É o que eu faço pra descansar a cabeça depois do trabalho. Infelizmente quando eu chego em casa, eu continuo revirando assuntos de trabalho na cabeça, e isso cansa demais. Jogar joguinho de mata-mata desliga essa parte do meu cérebro completamente. E têm outros amigos brasileiros que jogam também, então fica bem divertido.

  • Estudar alemão. Acredite ou não, eu me divirto à beça. Só que eu estudo do meu jeitão: sozinho, usando um SRS e focando apenas em vocabulário. Meu objetivo é aprender a ler alemão. Eu me preocupo em falar e escrever depois. Mas é melhor explorar esse assunto em um post separado.

  • Filmes e séries. Comprei uns gadgets pra profissionalizar nosso "romi-titi" e ficou grã-fino. A série que a gente tá vendo no momento é Dexter. Terminamos a primeira temporada, e foi MASSA DEMAIS!!!! AHHHH!!
Espero em breve poder fazer posts com fotos legais, comigo de joelho sarado e andando de bicicleta por aí. Enquanto isso, vai uma lembrança de Paris, na Place des Vosges:


Em Paris tava frio pra burro, aliás - muito pior que aqui.

Até.

Tuesday, January 5, 2010

Compre batom

Compre batom.


Compre batom.


Compre batom.


Depois comprem isso quando lançar no Brasil: Google Nexus One.

É o fone para geeks mais foda do universo.

Sunday, December 6, 2009

Em Goiânia, ao som de boa música, e mistureba de assuntos

Estou em Goiabânia. O tempo aqui tá bom - nem quente, nem frio. Também tá chuvoso, o que é massa.

Tenho ouvido bastante música, e descobrindo e redescobrindo coisas legais.

Estou meio viciado em Them Crooked Vultures. Comprei o álbum no iTunes, mas deve ter no btjunkie.org pra baixar. A banda é formada pelo Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters), mais um cara do Queens of the Stone Age e outro do Led Zeppelin. Recomendo fortemente pra quem gosta de coisas como White Stripes.

Durante a viagem pra Goiânia, eu redescobri Thao with The Get Down Stay Down e a viciante Bag of Hammers, que logo vai substituir Röyksopp - What Else is There como minha música mais tocada. Clique e veja.

A Thao With.. vai tocar em Basel na Suíça em Janeiro, o que poderia ser uma ótima desculpa pra viajar mais um pouco pelo país. Não é nada difícil convencer a Carla a viajar pra qualquer lugar, então é bem possível que role.

Thao é coisa nova, mas eu gosto de rock das antigas também.
Eu ouço diariamente há anos a Bacobens Rock Top 500, feita por uma boa alma da Internet (as tags ID3 dos arquivos estão todas bagunçadas), mas estava procurando coisa nova. Achei hoje a The Rolling Stone Magazine 500 Greatest Songs of All Time (torrent).É bem mainstream e praticamente só com músicas em inglês, mas show de bola.

Bem que alguém podia fazer uma Top 500 de músicas Indie e de MPB..

Mudando de assunto:

Tirei o chapéu pro suporte técnico da GVT. Minha mãe estava tendo problemas muito esquisitos com a Internet dela, e consertar isso era um das minhas missões aqui em Goiânia. Além de precisar de um computador novo, o maior problema estava realmente na conexão ADSL da GVT.

Liguei na GVT e, depois de fazer aqueles vários testes inúteis (desligar e ligar o modem, etc etc), na segunda ligação a viu que estávamos pagando o equivalente a uma conexão de 3 Mbps nos preços de hoje :-). Fiz o devido upgrade sem custo, mas a lentidão não resolveu. Então a GVT mandou um técnico aqui. Falei com a atendente ontem (Sábado), e hoje (Domingo) o cara já estava aqui. Ele foi bem competente e acabou descobrindo que a fiação de telefone aqui no apartamento está enferrujada. Passamos o modem pra outro ponto do telefone, e agora tá tudo perfeito.

Palmas pro povo que trabalha na GVT.

Assunto nerd:

Tenho programado algumas coisinhas em Go. A sintaxe é meio esquisita, e vai na contra-mão de tudo o que eu achava moderno e legal em Python. Mas acho que tem potencial pra crescer bastante, porque a intenção é que ela ofereca performance próxima à do C/C++. É compilada, estaticamente tipada e com garbage collection. A melhor parte pra mim são as funcionalidades de concorrência. Goroutines e channels FTW.

Se alguém estiver pensando em programar em Go, eu criei uma comunidade no Orkut porque a que existe não tem fórum ativado.

Saturday, August 1, 2009

Música boa

Em Novembro vamos ao show do Green Day!

Eu não acompanho a banda nem digo que sou fã, e na verdade não gosto das últimas músicas que ouvi - 21 Guns é horrível, tenha dó. Mas as músicas antigas deles são tão boas que eu não perderia essa oportunidade. Veja Basket Case por exemplo:



Essa é a uma das minhas músicas prediletas, e o clipe é sensacional. As cores são bizarríssimas e a letra é bem engraçada.

Mas se você quer me ver feliz mesmo é só tocar o baixo de Longview:



Eu conheci Green Day por tabela. Meus irmãos felizmente tinham um gosto musical muito bom e traziam esses discos pra casa. Me lembro de ouvir muitas vezes (por tabela) tanto o Dookie (1994) quanto o pré-fama Kerplunk (1992).

Graças aos meus irmãos também eu conheci e aprendi a gostar muito de Ramones, Sex Pistols, Replicantes, Soundgarden, Rollings Band, Red Hot Chilli Peppers, Raimundos, Sepultura.

Daí então eu cresci e tentei descobrir coisas novas sozinho, o que não deu muito certo. De alguma forma meus irmãos tinham fontes musicais muito melhores que as minhas. O máximo que eu consegui descobrir sozinho foi Raul Seixas - e hoje eu tenho quase vergonha de ter tido tantos discos do raulzito. É que olhando bem, de toda a enorme produção musical dele (e eu conheço praticamente tudo) só salvam umas dez músicas. O resto é música brega (exemplo 1, exemplo 2).

Mesmo assim, confesso, ainda adoro Raul. E Green Day.

Tuesday, July 28, 2009

Churrasco com carvão tá fora de moda

O verão já começou faz tempo e o clima está pedindo um churrasco na laje. Então no sábado compramos uma churrasqueira. Êta minino feliz que eu fiquei. Tivemos que trazer o trambolhão à pé e de trem, foi dureza. Mas o sacrifício valeu a pena. Hoje fizemos o test drive e deu tudo certo.



Como eu morro de preguiça de mexer com carvão, acender fogo e abanar a brasa, o que é pré-requisito pra uma churrasqueira tradicional, compramos uma churrasqueira a gás :-). É só apertar um botão que o fogo tá aceso, sem fumaça, sem sujeira e sem abanação. Tudo muito civilizado. Preguiçoso Certifed!

A Carla ainda prefere o churrasco fumacento de carvão, e meus antepassados gaúchos devem estar rolando no túmulo em revolta com essa história de churrasqueira a gás. Mas a gente mora em apartamento e mesmo estando no andar mais de cima e no canto do prédio, não quero que os vizinhos nos odeiem, então carvão não rola.

Hoje na inauguração do equipamento culinárico fizemos lónguiça, mio verde e a Carla estreiou sua receita de hamburger caseiro. Ficou tudo uma delícia.


Tá notando a falta de alguma coisa? Sim, tá faltando carne de verdade. É que aqui a gente não se acha carne bovina com muita facilidade, não. Pra comprar carne a Carla precisar ir num açougue brasileiro. Lá tem tudo o que você pensar - incluindo arroz, feijão e picanha. Daqui uns dias vamos nos abastecer e fazer um churrasco legítimo. O de hoje foi só brincadeirinha.

Friday, July 3, 2009

Cavalleria Rusticana e Pagliacci na Opernhouse Zürich

Eu sempre me interessei por ópera, me empolgo muito com as músicas e com as interpretações, mas nunca tinha assistido uma. O pouco que sei sobre o assunto vem de leituras da Wikipedia e de vídeos do Youtube, como esse do Pavarotti interpretando Vesti La Giubba:



Portanto assistir a uma ópera sempre foi um dos meus maiores sonhos, e a ária que eu linkei acima sempre foi uma das que mais me impressionou.

Pois então, hoje eu fui à opera assistir Pagliacci e Cavelleria Rusticana na Opernhouse Zürich. Foi inacreditável. Não consigo lembrar há quanto tempo eu me emocionava tanto.

Eu até consegui entender parte das legendas em Alemão durante um tempo, até que meu vocabulário se esgotou e não consegui mais acompanhar. Ainda assim foi bem legal.

Pagliacci é a ópera daquela ária ali em cima. Cavalleria Rusticana é a dessa maravilha aqui:



Lindo demais né não? É claro que a ópera não é só isso. Na verdade é um evento bem longo, com 3 horas de duranção. E há óperas bem mais longas. Como estamos acostumados a séries de TV com 30 minutos ou 1 hora de duranção no máximo, as 3 horas da ópera são muita coisa. E compensa? Sim, sim, MUITO. As histórias são muito boas.

Naquela ária ali em cima, por exemplo, o personagem principal é um palhaço que precisa se arrumar e se preparar pra fazer as pessoas rirem no espetáculo, logo depois de ter flagrado sua esposa o traindo com outro. Dramáááático.

Tanto que eu me emocionei profundamente. No momento que a orquestra começou a tocar, no momento que as cortinas se abriram e em cada segundo que a Santuzza abria a boca pra cantar, eu desabava a chorar que nem um bebê. Sim, foi assim mesmo. Só faltei soluçar. Foi massa demais.

Quero assistir um monte de outras depois dessa.

Última coisa. Ainda que o tenor fosse muito bom, compará-lo com o Pavarotti cantando a mesma ária é scanagem. Pavarotti tem MUITO moral.